Feliz 2015!

E aí pessoas, tudo bem???

Logo posto tudinho sobre o aniversário de 1 ano do Pedro que foi muito legal!

Tô passando pra felicitar a D. do (D)esejo de bebê pelo positivo, o primeiro do ano! Que sua gestação seja tranquila e feliz! 😉

E para contar que encerramos o ano com uma reportagem no G1 da região. Ficamos muito contentes com a imprensa local abrindo espaço para esse tipo de reportagem, aqui a situação é beeeeeeeeeeeeeeeem crítica.

Beijocas

[Guest Post] Relato de Parto!

Olá Meninas,

Uma amiga teve um lindo parto dia 03/05/2014, ela não tem blog, mas gostaria de dividir esse momento mágico com outras mulheres.

“Cedi” o espaço pra ela contar tudinho sobre a gestação e o parto do Henrique. 😉

Espero que gostem…

Vou começar pela descoberta da gravidez, dia 31/08/2013. Aquele segundo risquinho no teste, mesmo que fraquinho, deu-nos a certeza que nunca mais seríamos só nós dois!

Logo no inicio escolhemos que seríamos acompanhados pela Dra. Catia Chuba (palavras nunca serão suficientes para descrever e agradecer o quanto ela foi importante para nós!).

Eu sempre li muito a respeito de partos, maternidade, infância e estava claro que um momento tão importante na vida de um novo ser deveria ocorrer da maneira mais natural possível e a decisão por um parto domiciliar veio antes mesmo do Henrique ser gerado. Com ele aqui dentro, bastou procurar profissionais capacitados e com condutas baseadas na humanização do nascimento e nas evidências cientificas. Foi aí que surgiram a Driele e a Rose (obstetriz e enfermeira obstetrica) nas nossas vidas, a Ellen (querida doula!) além do Dr. Gilberto Mello, unico ginecologista obstetra realmente humanizado da região. A Dra. Catia se mostrou a favor da nossa escolha desde a primeira consulta, dando todo apoio para que tudo funcionasse da maneira que tanto planejamos.

A gravidez foi transcorrendo de maneira tranquila, sem nenhum problema, o que é um pressuposto imprescindível para se ter um parto domiciliar, uma gestação sem riscos. Eu continuei os exercicios fisicos, pilates e algumas caminhadas.

Quando estava de mais ou menos 32 semanas, os exercicios ficaram mais focados no parto, sob a supervisão da querida doula Ellen que me acalmou, que conversou comigo, que fez acupuntura quando eu senti que precisava relaxar, mas que também me apresentou ao querido SQN epi-no rsrsrs que é um aparelho utilizado para preparar a musculatura perineal (acredito que conseguem imaginar que trabalhar essa musculatura com um aparelho não é das tarefas mais confortáveis!).

O quartinho do Henrique foi ficando pronto, a casinha dele foi ficando apertada, dirigir não era tão confortável e, mesmo andar como passageira, era dificil! Dormir não era fácil, assim como sentar, levantar rsrs!

Com 35 para 36 semanas eu passei a sentir cólicas e as contrações de Braxton Hicks vinham doloridas, uma ou duas doloridas por dia, a cada dois dias. Era meu corpo funcionando, demostrando que toda mulher É SIM capaz de parir.

Dia 01/05, feriado, eu resolvi que iria fazer nhoque de almoço, eu fiz a massa, o molho e uma tremenda de uma bagunça! Ainda fiz um bolo de banana de sobremesa. Dizem que muitas mulheres ficam mais dispostas as vésperas do trabalho de parto, com vontade de fazer faxina, por exemplo. No meu caso, a veia culinaristica que aflorou rsrsr. Dia 02/05, resolvi fazer panqueca rsrsrs! Henrique, será que vc vai ser chef de cozinha? Rsrs! Um parênteses: nesses dias eu baixei a música “anunciação” na versão da Ellen Oléria… Escutei ela no ‘repeat’ por dias e imaginava o Henrique chegando em um domingo de manhã!

” Na bruma leve das paixões Que vêm de dentro Tu vens chegando Pra brincar no meu quintal No teu cavalo Peito nu, cabelo ao vento E o sol quarando Nossas roupas no varal A voz do anjo sussurrou No meu ouvido Eu não duvido Ja escuto teus sinais Que tu virias numa manhã de domingo Eu te anuncio nos sinos das catedrais Tu vens, tu vens Eu já escuto os teus sinais “

Não sei porque mas a música me dizia alguma coisa, algo que eu não sei explicar e não dei importância! Talvez se eu tivesse dado, saberia o que estaria por vir rsrsrs!

Passei o dia sentindo cólicas e as 21h, logo após jantar, contrações! Doloridinhas, não eram aquelas BH que eu estava acostumada… Mas achei que poderiam ser pródromos, afinal, li tantos relatos e a grande maioria contava que ocorria e poderia ocorrer por dias!! La pelas 22h30, fomos dormir e eu avisei o Helico: vou jogar uma partidinha de 2048 antes de dormir. Eu realmente não acreditava que meu TP tinha começado! Mas jogar 2048 não deu certo… As contrações pareciam estar muito ritmadas para serem pródromos e cronometrei por 30 minutos, conforme aprendemos na aula de parto da Rose e da Dri e la estava o ritmo: contrações de 6 em 6 minutos com duração de 1 minuto cada. Mandei mensagem pra Ellen contando a novidade, mas sem esperar muito, escrevi: “nao deve ser nada, vou tomar um banho pra ver se passa!”. Não passou rsrsrs e para me provar que a hora tinha chegado, um pouco de sangue começou a escorrer. Não lembro muito bem o que aconteceu nessa hora depois de eu ver o sangue, mas pelas conversas no whatsapp, eu avisei a equipe que estava bem dolorido por volta da meia noite, mas eu mesma me desacreditava rsrsrsrs dizendo que não devia ser, que ia deitar pra ver se passava. Em outra mensagem eu dizia: deitei mas nao passa!!! As 4h a Ellen chegou e eu estava com contrações de 3 em 3! Eu estava no chuveiro. Foi muito bom contar com ela, um apoio sem igual, com acupuntura, palavras encorajadoras (que não lembro todas, mas eu sei que estavam la!)! Logo depois, não sei quanto tempo depois, a Dri e a Rose chegaram. Eu só queria entrar na piscina! Estava mesmo na hora! Acho que só quando entrei na piscina que percebi esse detalhe. O Helio me falou isso diversas vezes durante o TP, eu me lembro! “Vamos conhecer o Henrique!” Aliás, ter um marido que se empoderou durante o processo foi muito, mas muito bom. Ele me segurou literalmente, me apoiou psicologicamente, me falou coisas boas durante todo o TP. Meu amor infinito por ele.

Não lembro de nada depois da piscina. A Ellen me disse que me mandava comer e eu negava. Eu sei porque negava, porque as dores me davam ânsia de vomito rsrs! Ela me contou que me fez tomar um copo de agua com açucar. Isso foi necessário pois eu estava há horas sem comer. Jantei 20h e pouco e o bicho começou a pegar logo depois, bem na hora de dormir. Estomago vazio, energia zero, não tinha forças para mais nada, a agua com açucar deve ter me dado um pouco mais de cor rsrsrs!

Lembro que ja estava claro e a equipe improvisou cortinas na varanda, onde a piscina foi montada. Estava uma delicia aquela agua quentinha, os lençóis cobrindo o sol… E as dores botando tudo pra quebrar rsrs! E eu que gostava dos videos silenciosos, lembro de vocalizar bastante! E eu falava sempre pra equipe durante nossa preparação: “nao vou gritar, nao gosto desses videos que a gestante grita” acabei pagando a lingua rsrs!

Em certo momento, a Dri me pediu para ficar mais vertical, para medir os batimentos do Henrique. Lembro que ela também pediu para eu sair da água e aí lembro da conversa que tiveram comigo: “Ro, os batimentos estão ficando fracos, nada fora do comum, mas é um bom momento para ligarmos pro Dr. Gilberto e irmos encontra-lo na casa de saúde.” Ok, vamos! Esse é bom de estar com uma equipe que passa confiança e segurança. Em nenhum momento eu me desesperei, me descabelei ou desconfiei que algo pudesse dar errado. Estava claro: tudo bem com o Henrique, mas melhor irmos. Ainda faltava o mais dificil pra ele: passar pelo canal de parto. Por isso a decisão de ir. Claro que o plano era não precisar transferir, era parir em casa e por la ficar até o dia do exame do pezinho ou consulta no pediatra, mas a vida é assim, apenas planos!

Só que… Eu estava com contrações de 1 em 1! Como pegar elevador, entrar no carro, andar até a casa de saude? Rsrsrs tenso! A Rose foi com a gente no carro e Essa parte eu lembro! Eu fui no banco de trás em 4 apoios e eu sentia uma vontade absurda de fazer força. E fiz! Depois a Rose me contou que sentiu que ele quase nasceu no carro. Ele foi aparando meu períneo durante o trajeto. Chegando no hospital, o Dr. Gilberto ja tinha cuidado das burocracias e fui direto trocar de roupa. Fico imaginando a cara das pessoas vendo uma mulher toda bagunçada adentrando na maternidade em TP… Vocalizando, abaixando no meio da contração rsrs! Se as enfermeiras ficam assustadas, sem reação, pode-se imaginar um leigo. O que é muito triste, considerando ser o parto um evento fisiologico inerente a todas as mulheres. Chegando no local onde eu deveria trocar de roupa, uma contração forte veio e eu me abaixei. Escuto uma das enfermeiras gritar desesperada: “levanta daí senão nasce no chão!!!!!!” E tenta me levantar a força! Essa cidadã não sabe o que é respeitar o protagonismo de uma mulher em trabalho de parto… Outra queria trocar minha roupa no meio da contração e falando: “mãezinha, tem que por essa roupa logo antes que essa criança nasça aqui”. Mas ué, qual o problema? Rsrs! Levou uma resposta a altura, assim como a que me mandou levantar. Parênteses: não permitiram que a equipe que me acompanhava em casa entrasse comigo. O Helio estava se trocando, então fiquei momentos sozinha, até o Dr. Gilberto me buscar para levar ao centro obstetrico.

No centro obstetrico o show de horrores da enfermagem continuou. Muitas falaram: “não adianta gritar, mãezinha”, os olhares atravessados e nenhuma palavra de incentivo. Eu estava sem controle mesmo, desconcentrada. A gota dagua foi uma pessoa, que eu achava ser enfermeira, fazer menção de subir na minha barriga para executar a ‘manobra de kristeller’. Eu reparei que ela usava um relogio bem bonito e ainda pensei: “ué, que hospital moderno, as enfermeiras podem usar relogio no CO”! Berrei com a mulher para nao encostar em mim e ouço: “seu bebe tem que nascer e eu preciso empurrar” e eu: nao encosta em mim!!!!!!! Dr. Gilberto pediu gentilmente pra ela se afastar e ela saiu batendo o pé. Depois descobri que essa mulher não era enfermeira. Ela se entitula, ou melhor, a entitularam como humanizada da região! Piada… Kristeller além de ser muito dolorido para quem recebe, pode causar diversos problemas ao RN, non ecziste isso na humanização, doutora!

A anestesista chegou e aplicou uma analgesia que não fez cócegas. Aliás, fez, me desconcentrou um pouco mais rsrsrs e aí que as forças não eram direcionadas pro lugar certo. Eu continuei sentindo tudo.

Sem conseguir focar minhas forças, sem concentração, em posição ginecologica e sem doula, foi necessario o uso de forceps para retirar o Henrique, que nasceu após 3 forças, às 9h33 da manhã, pesando 2,880kg e medindo 48 cm. Apgar 8/10, todo melecadinho de vernix, direto pro meu colo! Ficamos nós 3 namorando enquanto o Dr. Gilberto suturava a laceração. Não foi feita episiotomia, aprendam com o Dr. Gilberto , “umanisados” de Santos. Não existe episio de rotina, tampouco períneo rígido e outras balelas referentes a esse assunto. Recomendo o blog da Melania, médica que esta há 12 anos sem fazer um cortinho sequer.

Consegui negociar diversos procedimentos padrão do hospital com a pediatra plantonista, muito bacaninha ela, como não esfregar o corpinho dele depois que nasceu, não aspirar as vias aéreas e anais, a vitamina k ser aplicada no meu colo, alojamento conjunto o tempo todo, sem banho, trocas feitas pelos pais e no quarto. Todos foram atendidos, exceto o colírio de nitrato de prata, que foi pingado na presença do pai, pelo menos isso. Até a placenta guardaram! Claro, tive que responder às curiosidades das enfermeiras: ” por que vc quer a placenta??”, “pq nao pode dar banho?” Rsrs!

E foi assim que Henrique veio ao mundo. Na hora que estava pronto! O desfecho hospitalar não foi o que imaginamos, mas foi muito melhor do que podíamos prever, mesmo no meio do caos obstétrico que vivemos em Santos, com ameaça de fechamento de maternidades e a obrigatoriedade de agendamento de parto!

Agradeço à toda equipe, Driele, Rose e Ellen por estarem ao meu lado durante as 38 semanas e 2 dias de gestação, respondendo meus questionamentos, me ensinando e me preparando. São 3 pessoas doces, pacientes e sábias que, com certeza, estarão presentes em meus próximos partos.

Obrigada ao Dr. Gilberto que fez o que estava ao seu alcance na Casa de Saude para que eu fosse bem atendida e não invadida.

Obrigada, meu amor, meu amigo, meu marido Helio por todo suporte, por confiar em mim e no meu corpo e, claro, por ser a outra metade do Henrique.

Por fim, obrigada Deus por me permitir sentir o amor mais intenso e por me ensinar que tenho mais força do que imaginava!

À todas as minhas amigas empoderadas que torceram por mim, que se preocuparam quando mandei mensagem avisando do inicio do TP, muito obrigada, vamos espalhar por aí tudo que acreditamos, o protagonismo feminino e o respeito na hora de nascer!

Henrique, se fiz tudo isso, o motivo foi exclusivamente você! Te amo mesmo antes de te ver pela primeira vez! ❤

Projeto Caminhando para o Parto Natural.

Olá, meninas…

Hoje venho aqui divulgar o projeto “Caminhando para o Parto Natural“, que eu, a Ellen Infante, fisioterapeuta (minha) doula e blogueira do Gerando, Maria Laura do Contando os Dias para ter você e a Patrícia Simões do Conversando com Bernardo criamos.

Infelizmente Santos está na contra mão da humanização, temos pouquíssimos profissionais humanizados, quem me acompanha a mais tempo sabe o “perrengue” que foi achar um médico que apoiasse a humanização.

Na baixada não temos nenhum grupo de apoio e achar informações de qualidade tem sido bem complicado, então, surgiu a ideia de fazer esse espaço (por enquanto) virtual de apoio e auxílio a quem procura ter um parto respeitoso.

O blog será, em sua maioria, voltado para a Baixada Santista, mas acredito que atenderá qualquer pessoa que caminha em busca de um parto natural.

Espero que gostem e que me sigam por lá também.

Beijocas